Rochas carbonáticas são
menos resistentes ao desgaste abrasivo e quimicamente mais reativas
que as rochas silicáticas, exigindo assim pressupostos rígidos
de manutenção se especificadas em fachadas, pisos e áreas
de serviço. Rochas silicáticas são mais resistentes
ao desgaste abrasivo e quimicamente menos reativas que as rochas carbonáticas,
exigindo cuidados quanto ao manchamento produzido por infiltrações
de líquidos, sobretudo de argamassas de fixação
e rejuntes.
Conforme já referido, a resistência ao desgaste abrasivo
é normalmente proporcional à dureza na “escala de
Mohs”, dos minerais constituintes das rochas. A calcita e dolomita,
principais constituintes dos mármores, têm dureza 3 e 3,5-4,
respectivamente. A dureza dos principais componentes dos granitos é
sensivelmente superior, mencionando-se o quartzo (dureza 7), os feldspatos
(6) e os minerais ferro-magnesianos (4 a 6).
Assim, entre os granitos, será tanto maior a resistência
abrasiva quanto maior a quantidade de quartzo. Entre os mármores,
será tanto maior a resistência abrasiva e química
quanto maior o caráter dolomítico (magnesiano).
Do ponto de vista físico-mecânico, as rochas silicáticas
mostram-se superiores às carbonáticas para revestimentos
externos, pisos em geral e áreas de serviço. Sob o mesmo
prisma, as rochas carbonáticas seriam por sua vez idealmente
especificáveis para interiores, com restrições
aos pisos de alto tráfego, às áreas de serviço
e notadamente às pias de cozinha. Em cidades litorâneas,
reforça-se a inadequação das rochas carbonáticas
para fachadas e pisos, pelo ataque do aerosol marinho, que contém
ácido clorídrico, e pela abrasividade das areias de praia.
Os acabamentos apicoados e flameados, menos escorregadios, são
preferíveis aos lustrados para pisos externos com tráfego
de pedestres. Porém, o apicoamento e flameamento aumentam a superfície
específica da face tratada e produzem microfissurações,
ampliando assim a absorção de líquidos e impregnação
de sujeira; nestes casos, mediante testes específicos, recomenda-se
a utilização de selantes (impermeabilizantes hidro-óleo-repelentes),
ou por outro lado, não se recomenda o apicoamento e flameamento
de rochas naturalmente absorventes.
Duas recomendações são assim importantes: é
inadequada a utilização de duas rochas com resistências
distintas à abrasão, por exemplo mármore e granito,
para um mesmo piso em local com alto tráfego de pedestres, pois
seguramente ocorrerá desgaste diferencial ao longo do tempo;
e, deve-se evitar a utilização de mármores em degraus
de escadas com grande volume de tráfego, pois nesta condição
haverá desgaste maior e embaciamento no centro dos degraus.
Estudos técnicos sobre acabamento de superfícies, selantes,
argamassas, rejuntes, vernizes, ceras, detergentes e antiderrapantes,
visando estabelecer normas e padrões de aplicação,
adequação, conservação, limpeza e restauração,
são recomendados para a melhor especificação das
pedras naturais em revestimentos.