Os principais agentes de alteração
em revestimentos, referem-se a substâncias aciduladas convencionalmente
manuseadas nos ambientes domésticos, mas sobretudo a chuvas ácidas
atuantes nos revestimentos externos. Dentre as substâncias domésticas
potencialmente nocivas para as rochas, quanto ao ataque químico
e manchamento, pode-se referir frutas cítricas (sobretudo limão),
vinagre, produtos de limpeza (ácidos e alcalinos), refrigerantes
gasosos, bebidas isotônicas, gasolina, querosene, bebidas alcoólicas
coradas (destaque para vinho tinto), líquidos com oleosidade,
óleos e graxas em geral.
O termo chuva ácida designa, em sentido restrito, a precipitação
úmida de constituintes ácidos. Esses constituintes, derivados
de atividades antropogênicas e biológicas, são dispersos
como gases e compostos particulados, dissolvendo-se nas nuvens e gotas
de chuva para formar soluções aciduladas. Mais amplamente,
ocorre tanto deposição úmida (chuva ácida),
quanto deposição seca de poluentes ácidos gasosos
e particulados. Pode-se no caso utilizar a expressão “deposição
ácida”, como a somatória dos processos de deposição
úmida e seca de compostos ácidos. Para efeito prático
de abordagem, ressalta-se que ambos os processos são considerados
importantes na acidificação do meio físico.
Levantamentos efetuados pela CETESB – Companhia de Tecnologia
de Saneamento Ambiental e CETEC – Fundação Centro
Tecnológico de Minas Gerais, evidenciaram a ocorrência
de chuvas ácidas na região sudeste do Brasil. Os estudos
do CETEC, em Belo Horizonte, Betim e Contagem, demonstraram inclusive
que a acidez aumenta ao longo do período chuvoso, pelo esgotamento
do cálcio e outras partículas alcalinas disponíveis
na atmosfera para a neutralização. Os impactos negativos
das chuvas ácidas manifestam-se nos ambientes aquáticos,
no solo e na vegetação, provocando corrosão em
estruturas metálicas e superfícies pintadas, bem como
deteriorando materiais de construção, papel, couro, tecidos
e as já referidas rochas carbonáticas.
Entre os gases reativos e com natureza ácida presentes na atmosfera,
destaca-se o gás carbônico (CO2), que dissolvido em água
forma o ácido carbônico (H2CO3). Nas concentrações
e pressões normais de CO2 na atmosfera (340 ppm e 1 atm), o pH
da água da chuva atinge 5,65, valor abaixo do qual define-se
portanto a chuva ácida.
Chuvas com pH inferior a 5,65, são assim devidas ou a concentrações
maiores de H2CO3 ou à contaminação pelos ácidos
sulfúrico (H2SO4) e nítrico (HNO3). Os ácidos sulfúrico
e nítrico são gerados sobretudo por fontes antropogênicas,
através da dissolução aquosa de SO2 e NO2 na atmosfera.
O ácido clorídrico (HCl), também discriminado como
agente de degradação ambiental, incide sobretudo em áreas
costeiras pela dispersão atmosférica de NaCl (sal marinho),
atuando tanto através de chuvas ácidas quanto pelo aerossol
marinho.