Após a serragem, o passo seguinte
do beneficiamento é o acabamento final das chapas e outras peças,
através de levigamento, polimento e lustro, ou apicoamento e
flameamento. O levigamento ou desbaste representa o desengrossamento
das chapas, com a criação de superfícies planares
e paralelas. O polimento produz o desbaste fino da chapa e o fechamento
dos grãos minerais, criando uma superfície lisa, opaca
e mais impermeável que a de uma face natural da mesma rocha.
O lustro é aplicado no sentido de se imprimir brilho à
superfície da chapa, produzido pelo espelhamento das faces dos
cristais constituintes da rocha.
O levigamento, polimento e lustro são efetuados por rebolos abrasivos,
à base de carbureto de silício e diamante, em diferentes
granulometrias (mais grossos para o levigamento e cada vez mais finos
para o polimento e lustro final). Os rebolos, fixados em cabeçotes
rotativos, circulam sobre a superfície da chapa, utilizando-se
um fluxo constante de água para eliminação de resíduos
e refrigeração da face tratada.
Os resultados do polimento e lustro são definidos pelo brilho,
fechamento e espelhamento das chapas, podendo-se aferir o brilho através
da acuidade visual ou com uso de aparelhos (glossmeter). Os medidores
de brilho foram desenvolvidos para superfícies metálicas
homogêneas, sendo no entanto também muito utilizados no
setor de rochas ornamentais. O índice de brilho exigível
pelos consumidores, deve ser igual ou superior a 70 pontos medidos na
escala dos aparelhos. Quanto maior a heterogeneidade das feições
estéticas (movimentos) de uma rocha, maior o número de
medidas necessário para uma média representativa.
Concentrações de minerais máficos (sobretudo biotita
grosseira) e sulfetos, geram problemas de polimento nas chapas e alterabilidade
mais acentuada nos produtos aplicados. Nódulos (mulas), pequenos
diques e veios (barbantes), sobretudo em rochas homogêneas, ocasionam
problemas de padrão estético e perdas no esquadrejamento
de chapas. Tais feições são esperáveis em
materiais rochosos naturais, devendo ser observadas quando sua intensidade
provoca tanto um efeito estético indesejável quanto eventuais
problemas físico-mecânicos.
Os equipamentos mais utilizados para polimento de rochas são
as politrizes manuais (1 cabeçote), politrizes de ponte (1 a
2 cabeçotes) e politrizes multicabeçotes (5 a 20 cabeçotes).
As politrizes manuais (cabritas) são ultrapassadas, determinando
baixo rendimento e grande variação na qualidade dos produtos
obtidos. Nas politrizes de ponte o movimento dos cabeçotes é
menos aleatório, permitindo maior produtividade e qualidade de
acabamento. As linhas de politrizes mais modernas e eficazes são
multicabeças e totalmente automáticas, possibilitando
o processamento de chapas de até 10-15 cm de espessura e 2 m
de largura, bem como dispensando operações anteriores
(levigamento) e posteriores (lustro) em outras máquinas.
Equipamentos específicos e via de regra automáticos/semi-automáticos
são utilizados para apicoamento, flameamento, jateamento de areia,
fresagem, esquadrejamento, boleamento, bisotamento, cortes curvilíneos,
perfurações, etc. Tais equipamentos prestam-se à
obtenção de peças isoladas, não necessariamente
padronizadas, normalmente solicitadas às marmorarias.
As técnicas de apicoamento e flameamento produzem em alguns materiais,
conforme já referido, um efeito estético mais interessante
que o do polimento. O flameamento não é recomendável
em chapas com menos de 3 cm de espessura, a não ser que a aplicação
de água seja efetuada na face oposta à da chama de acetileno.
A crepitação dos minerais no flameamento e o impacto das
pontas metálicas no apicoamento, provocam microfraturas que facilitam
a infiltração de poluentes e aceleram o ataque físico-químico
na superfície da placa.
A tendência geral de evolução tecnológica
para beneficiamento e acabamento das rochas ornamentais, é traduzida
pela automação de toda a linha de equipamentos (teares,
talha-blocos, corta chapas, politrizes, etc.) e pela melhor especificação
dos materiais de consumo (lâminas, granalha, abrasivos, etc.),
voltadas para a redução do tempo e custo das operações,
bem como para a melhoria de qualidade dos produtos.