TIPOLOGIA DAS ROCHAS ORNAMENTAIS E DE REVESTIMENTO
Do ponto de vista comercial, as rochas
ornamentais e de revestimento são basicamente subdivididas em
granitos e mármores. Como granitos, enquadram-se, genericamente,
as rochas silicáticas, enquanto os mármores englobam,
lato sensu, as rochas carbonáticas. Alguns outros tipos litológicos,
incluídos no campo das rochas ornamentais, são os quartzitos,
serpentinitos, travertinos e ardósias, também muito importantes
setorialmente.
Para a distinção entre um granito (rocha silicática)
e um mármore (rocha carbonática), dois procedimentos simples
são recomendados: os granitos não são riscados
por canivetes e chaves; os mármores, inclusive travertinos, são
riscados por canivetes/chaves e reagem ao ataque de ácido clorídrico
a 10% em volume, efervescendo tanto mais intensamente quanto maior o
caráter calcítico (na falta de ácido clorídrico,
pode-se pingar limão). Serpentinitos e ardósias não
efervescem ou efervescem muito discretamente, e podem ser riscados por
canivetes. Os quartzitos, muitas vezes assemelhados aos mármores,
não são riscados por canivetes/chaves e nem efervescem
com ácido clorídrico ou limão.
Rochas isótropas, sem orientação preferencial dos
constituintes mineralógicos, são designadas homogêneas
e mais utilizadas em obras de revestimento. Rochas anisótropas,
com desenhos e orientação mineralógica, são
chamadas movimentadas e mais utilizadas em peças isoladas, pois
sua aplicação em revestimentos demanda apuro estético
e caracteriza uma nova tendência de design, ainda não totalmente
assimilada pela maioria dos consumidores tradicionais.
O padrão cromático é o principal atributo considerado
para qualificação comercial de uma rocha. Em função
das características cromáticas, os materiais são
enquadrados como clássicos, comuns ou excepcionais. Os materiais
clássicos não sofrem influência de modismos, incluindo
mármores vermelhos, brancos, amarelos e negros, bem como granitos
negros e vermelhos. Os materiais comuns ou de "batalha", de
largo emprego em obras de revestimento, incluem mármores bege
e acinzentados, além de granitos acinzentados, rosados e amarronzados.
Os materiais excepcionais são normalmente utilizados para peças
isoladas e pequenos revestimentos, abrangendo mármores azuis,
violeta e verdes, além de granitos azuis, amarelos, multicores
e brancos.
As designações comerciais aplicadas são muitas
vezes exóticas e enganosas, não espelhando os parâmetros
de cor e procedência dos materiais. As formas tradicionais de
nomenclatura refletem tais parâmetros (p. ex.: Verde Candeias,
Vermelho Capão Bonito, Rosa Sardo, etc.), devendo ser adotadas
como base para identificação de novos materiais comercialmente
tipificados.
Os produtos comerciais obtidos a partir da extração de
blocos e serragem de chapas, que sofrem algum tipo de tratamento de
superfície (sobretudo polimento e lustro), são designados
como rochas processadas especiais. Tal é o caso dos materiais
que no geral aceitam polimento e recebem calibração, abrangendo
os mármores, granitos, quartzitos maciços e serpentinitos.
Os produtos comerciais normalmente utilizados com superfícies
naturais em peças não calibradas, extraídos diretamente
por delaminação mecânica de chapas na pedreira,
são por sua vez designados como rochas processadas simples. Para
ilustração refere-se que, no Brasil, tal é o caso
dos quartzitos foliados (tipo pedra São Tomé, pedra mineira,
pedra goiana, etc.), da pedra Cariri, dos basaltos gaúchos, da
pedra Miracema, da pedra Macapá, da pedra Morisca, entre outras,
referindo-se que apenas a pedra Cariri tem “origem carbonática”.
As ardósias recebem designação específica,
sendo os nomes comerciais diferenciados pela cor da rocha. Os serpentinitos
tem seus produtos comercializados sob a designação de
mármores verdes.